Seu filho é um bom leitor?

Que os filhos sejam bons leitores parece-me ser o desejo dos pais! Pena que não exista uma receita para ensinar alguém a gostar de ler. No entanto, muitos fatores externos podem contribuir para a gestação de um leitor. Particularmente, desde bem pequena, vivi uma experiência que, possivelmente tenha sido o impulso maior para que eu me tornasse uma boa leitora. Meu pai gostava muito de ler e, diariamente lia para os filhos. Ele não tinha o conhecimento que muitos pais têm hoje, de saber escolher um livro adequado à faixa etária dos pequenos. 

Ele lia para nós, os romances e os clássicos que ele apreciava.

Lia com entonação ímpar, boa dicção e grande empolgação. Sempre deixava o “próximo capítulo” para o dia seguinte, interrompendo a leitura em momento de “suspense”. Lembro-me de sair da escola e voltar apressada para casa, já pensando no “que iria acontecer com as personagens”.

Penso que pais que lêem para os filhos antes de dormir, a avó que conta histórias de seu tempo, o professor que lê em capítulos um livro para o grupo, um passeio a uma biblioteca, livraria ou feira de livros, o contato com adultos leitores, uma conversa com um escritor... são fatores que contribuem para a formação de um bom leitor.

Muitas pessoas até professores acham que atualmente é mais difícil despertar o gosto pela leitura, num mundo marcado pelas telinhas da TV, da internet, dos vídeos games! Na verdade, essa realidade nunca foi provada. Pois, esses meios de comunicação e interação podem ser ótimos aliados da leitura, claro, se bem utilizados. Entretanto parece consenso afirmar que o gosto de ler começa cedo, na infância. 

Segundo os parâmetros curriculares nacionais – Língua Portuguesa, “formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa ler também, o que não está escrito, identificando elementos implícitos e que estabeleça relações entre o texto lido e outros.”

Outro fator fundamental é que o professor seja um bom leitor o que esteja sempre atualizado em relação a novas publicações.

Lembro-me bem de quando a coordenadora do Ensino Fundamental I, a Valéria, era professora de sala de aula sempre ia para o grupo com algum livro debaixo do braço. As crianças curiosas queriam saber o que ela estava lendo. Pouco a pouco a turma inteira estava buscando livros e mais livros para ler. Alguns pais diziam que ela “fazia milagres”, pois seus filhos aprenderam a gostar de ler. Pouco tempo depois, a escola convivia com “varais de poesias”, crônicas, antologias de textos produzidos pelos alunos.

Recentemente contratamos um professor de inglês para o Ensino Fundamental II, de nome Leonardo Pradera. Em seu primeiro dia de trabalho, Leonardo a reconheceu como a professora da sua 4ª série. E foi dizendo:

- Como me esquecer de você?! Foi por sua causa que eu li o primeiro livro da minha vida!

São histórias e verdades que tempo não apaga.

Por esses e outros motivos o Cresça criou e mantém a Oficina de Literatura e Escrita, que tem por objetivo despertar o prazer de ler e, com isso, favorecer um contato “amigável” com o texto. Nada de fichas literárias, nada de provas! Essas atividades parecem mais castigos. O que é importante é despertar a curiosidade, desenvolver o gosto pela leitura, estimular a observação, a reflexão e o debate. Nossas crianças lêem mais e escrevem melhor, porque com a leitura reservam mais conteúdo mental, exercitam a logicidade, a ortografia e a gramática.

Leia um bom livro! Leia para seu filho! Permita-lhe usar sua mente, porque os dois podem levá-lo onde desejar... Boa viagem!

Consuelo Carvalho de Araujo 
Diretora Geral do Cresça - Especialista em Educação
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