Renovação de matrícula: uma preocupação de final de ano

Todo final de ano tem sido assim: pais preocupados em renovar ou não a matrícula de seu filho na escola. Alguns procuram outras escolas e comparam, ouvem amigos e conhecidos, indagam os filhos, pesquisam preços, listas de material, querem conhecer professores, diretores, coordenadores... é uma escolha difícil. A essa dificuldade juntam-se os apelos da propaganda veiculada em todas as mídias em geral, com promessas educacionais “fantasiosas”.

Percebo ainda em muitos pais a preocupação com o vestibular, ainda que a quilômetros de distancia da vida do filho!

É fundamental repensarmos algumas questões. O que é mais importante: o conteúdo?! Ou os valores morais e éticos da escola?! Será que as instalações físicas da escola são primordiais? Ou é a formação dos educadores?! Talvez seja o valor das mensalidades?!

Se englobarmos tantos quesitos talvez possamos chegar à ESCOLA IDEAL, à ESCOLA PERFEITA. Penso que essa escola não existe e jamais existirá, uma vez que a perfeição é diferente de pessoa para pessoa.

Aqui no Cresça pensamos que as instalações devem ser adequadas, atendendo as exigência legais, limpas e funcionais. Não deve faltar equipamentos e materiais necessários ao desenvolvimento das atividades e da Metodologia.

Nossos educadores precisam ser “bem formados” e “informados”. Terem conhecimento e demonstrarem segurança, não só quanto à Metodologia como ao trato com as crianças e adolescentes – as relações interpessoais devem ser de primeira linha. Nosso educador precisa, entre outras necessidades, saber como acontece o desenvolvimento humano. Demonstrações de conhecimento, entusiasmo, comportamento ético e de valores positivos de vida são uma “constante”.

E o “conteúdo”?! Claro que ele é importante. Uma escola não pode existir no vazio de conteúdos. Aliás, é bom lembrar, que existe uma legislação para proteger o aluno, e que faz referência aos conteúdos programáticos. A nova LDB não só prevê os conteúdos como dá instruções da sua aplicação.

O que acontece em geral é que muitas escolas, desconhecendo os valores dessa Lei, ou por interpretação equivocada, praticam exigências curriculares além das possibilidades e necessidades dos alunos. Esse “desrespeito” alegra muitos pais que, desinformados, entendem que “escola boa é aquela que aperta o filho, que exige mais”.

Aqui no Cresça preocupamo-nos, e muito, com a escolha e seleção dos materiais didáticos e livros. Consultamos editoras, a equipe psicopedagógica e o MEC. Por exemplo, para o aluno de 2009, selecionamos um livro de Matemática para os alunos do 2º ao 5º ano que, além de atender aos preceitos da nossa metodologia, obteve nota dez em todos os quesitos exigidos pelo MEC. Os livros são referências, mas não nos prendemos somente a eles. Eles não são exclusividade! Um bom educador precisa ser criativo, estar em dia com os assuntos da atualidade, estabelecer correlações, levar a realidade para dentro e fora da sala de aula. A contextualização é fundamental e, é através dos conteúdos que ele deve imprimir, discutir, analisar, questionar e significar os valores morais, espirituais e éticos. Um bom educar não deve temer perguntas, indagações, levantamento de hipóteses ou discordâncias dos alunos. O que deve fazer é refletir as questões, buscar pessoas ou outros materiais que possam dirimir dúvidas, ensinando o aluno a “a prender a aprender”. Essa é a prática da “minha escola”, da qual tanto orgulho tenho! Afinal de contas, a formação do cidadão engloba a questão cognitiva e a questão da ética. O conhecimento tem que andar junto com os valores.

Quanto ao preço das anuidades escolares, penso que elas devem refletir a qualidade do trabalho oferecido e obedecerem a legislação vigente, que permite aumentos anuais, tendo como referência os índices inflacionários e/ ou a ampliação de serviços educacionais. Entretanto não posso deixar de registrar as dificuldades que escolas de porte médio, principalmente, enfrentam com relação à inadimplência. Também não posso deixar de registrar o quanto é injusta a lei que obriga as escolas a se comportarem de forma a favorecer o “calote”. Imagine, os juros permitidos, para cobrança de mensalidades em atraso, são de apenas 2%. Os pais podem ficar sem pagar a escola o ano inteiro! E no final do ano, pedem a transferência e a escola não pode negá-la. A dívida acumulada fica, e o aluno vai para outra escola... começar uma nova dívida! Na justiça, as “contas” se arrastam! Mas, os compromissos com folhas de pagamentos e encargos sociais continuam normalmente. E os juros para pagamentos desses impostos são muito superiores a 2%. Acreditem: conheço pais que matriculam os filhos, cada ano em uma escola diferente! Isso é um ABSURDO!

Com certeza, nosso povo ainda tem muito o que aprender para praticar responsabilidade junto a valores de vida como, respeito. E é uma pena que esses pais não percebam o quanto estão contribuindo para a “deformação” ética e do senso de justiça de seus filhos.

Consuelo Carvalho
Diretora Geral do Cresça
Especialista em Educação