O adolescente e os pais (dos vizinhos)

Uma das maiores frustrações dos pais e das mães é não serem considerados “legais” pelos seus próprios filhos. Aliás, até uma certa idade (9/ 10 ... 11 anos) o pai é o herói e a mãe a santa protetora. De repente ele entra na puberdade e tudo fica diferente. O adolescente mostra-se a princípio meio ausente, fala pouco, “não está nem aí”... As mães preocupadas insistem: “o que é? o que está acontecendo? brigou na escola? as notas estão baixas?” Claro, a escola é a primeira referência de preocupação. Tanto “cutucão” de lá e de cá, até que o adolescente “explode”. E então ouvem-se os chavões: “que saco!” “Mãe, você é muito chata! Não posso fazer nada! Fulano é que é feliz, sua mãe e seu pai é que são legais!” Algumas mães, coitadas, após o susto começam a se cobrar: “estou pegando muito no pé. Não tenho lhe dado atenção. O pai também não... Meu Deus preciso fazer alguma coisa senão vou perder o meu filho”...

Içami Tiba explica que tudo isto é natural e não há motivos para desesperos. “É possível conseguir o reconhecimento do próprio filho de que você é legal pelos amigos dele. Convide a turma dele para fazer um programa junto com você”. Mas, cuidado! “Uma vez com a turma dele, não se meta a engraçadinho ou engraçadinha, contando piadinhas que não sejam consagradamente engraçadas. Você pode ouvir seu filho dizer aos amigos dele: “Papai ou Mamãe engoliu o Bozo” e queimar seu filme perante todos... Só para não deixá-lo na mão, vou tomar a liberdade de lhe passar uma pegadinha infalível. Pergunte à turma toda: “Quantos dedos vocês tem nas mãos?” Ao que eles vão responder: “Dez”.” Finja que não escutou direito e repita a pergunta. Eles vão responder em coro: “Deeezzzz!” Pergunte em seguida: “Quantos dedos há em deeezzz mãos?” Infalível resposta em coro: “CEEEMMM!”! Aí você retruca: “Cem? Como cem? Cada mão tem dez dedos?” E deixa a dúvida no ar. Só o colega “mongo” é que não percebeu e passa a ser gozado por todos. Mas, neste momento não defenda o “mongo”, pelo contrário, se enturme com ele e com os demais. Também não vale querer contar outra piadinha, ou aplicar mais uma pegadinha. O que você fez foi aplicar um raciocínio que induz a erro, e eles viveram um momento de grande prazer e com ótimo humor. É só esperar que logo, logo você ouvirá, “seu pai (ou sua mãe) é um cara legal”.

Também nesta fase, prepare-se, é comum você perguntar a seu filho “foi bem na escola”?, e ele começar a falar sobre outra coisa qualquer. Neste caso, não se irrite, controle-se.

“O melhor é escutá-lo, dar-lhe um pouco de atenção mas não esqueça da sua pergunta, insista. Depois que contar o que “é mais importante para ele, talvez fale da escola. Tome cuidado, pois o estudo é um dos aspectos dessa fase. Pais e mães precisam se interessar por outras áreas da vida do filho”. Não compare e nem projete seus desejos ou suas frustrações no “futuro dos filhos”. O resultado pode ser mais frustrações. Mas o que fazer se ele fica no computador horas e horas? É, seu filho é da geração da telinha. “Você jogou bolinha de gude, empinou pipa na rua, mas ele não. Afinal, por que não um videogame na dose certa? O melhor é estabelecer limites e ajudá-lo a se organizar. No entanto, não permita que os estudos fiquem de lado. Se ele não gosta de estudar, então que estude o mínimo possível todo dia. Estudo é inegociável.

Seu filho não pode deixar de estudar e acabou a conversa. Estudar é obrigação dele, como a sua é trabalhar. E não fique “constrangido” nas cobranças. Sente-se no final do dia e escute seu filho falar sobre o que estudou. Faça-lhe perguntas, participe dos estudos. Mostre assim a utilidade da escola e o prazer de saber. O grande lucro desse método é que seu filho aprende a comunicar (sem gírias, é claro!) com suas próprias palavras o que sabe. Afinal você não quer um filho com dificuldades em se expressar. E lembre-se: não basta apenas aumentar o número de horas de estudo. Se não mudar a forma de fazê-lo, o resultado provavelmente será o mesmo”.

Texto: Içami Tiba – O executivo(a) e sua família – Ed. Gente, 5ª edição ( adaptado por Consuelo Carvalho de Araújo)
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