Maratona de Bolsas da Escola Cresça by EducatuX

Mente inclusiva

Qual preconceito você tem? Não adianta negar,todos temos preconceitos. Uns mais, outros menos. Uma das gêneses dos preconceitos é a falta de informação sobre os eventos. São tantas as coisas que temos de ter conhecimentos que é comum ignorarmos sobre certas coisas ou termos informações equivocadas sobre elas. Também é difícil aceitar as pessoas que não se encaixam no nosso padrão de “normalidade“. Tendemos a excluir o gordo, o feio, o repetente, o tímido, o negro, o homoafetivo, o transexual, o que professa uma fé desconhecida ou de origem considerada inferior (o candomblé por exemplo) o bipolar, o hiperativo, o desatento, o lento, o com TOC - transtorno obsessivo compulsivo, o deprimido, o disléxico, o genial, o excêntrico, o com temperamento difícil, etc. Achamos que quando defendemos a escola especializada, o manicômio  e outras instituições que agrupam pessoas em certas categorias estamos promovendo o desenvolvimento pleno delas, mas esta é uma forma sutil de preconceito (a homogeneidade é empobrecedora e não é natural).

As diferenças são inerentes à existência humana, embora existam padrões comuns a todos os homens. Se todas as pessoas são diferentes porque fazemos juízo de valor que envolve pena, repulsa, descrença? É necessário ver as diferença como um valor e não como um problema.

Não estou propondo a romantização das diferenças, quantas vezes já ouvimos as pessoas falarem de seus filhos discriminados pelo social como se eles fossem abençoados (ele é o meu anjo, etc.) Para incluir todos na sociedade é preciso estabelecer novas formas de relações de afeto, de escuta. É necessário abandonar estereótipos. Conviver com a diferença não é uma opção é uma necessidade, é preciso reconhecer que ela faz parte da condição humana. Ao aceitar a diversidade humana as relações pessoais amadurecem, as instituições se desenvolvem e se  fortalecem.  Tentar anular a diferença (negando-a, segregando-a) é anti-democrático, denota falta de solidariedade.

É necessário se educar para lidar adequadamente com as diferenças. Nossa mente está alicerçada em pensamentos que recortam e simplificam a realidade. É preciso mudar nossos pensamentos e tentar entender o ser humano na sua complexidade. Estar atento às  falas que desvelam as diferenças culturais, étnicas, de gênero, religiosas, etc. Proponho que trabalhemos por uma mente humana inclusiva. Uma das etapas iniciais é refletir sobre o assunto, é começar a pensar a quem interessa a exclusão e discordar de premissas que sutilmente se colocam contra a inclusão. 

Algumas questões para pensar:

  • A qualidade de ensino da escola vai ser rebaixada se ela for inclusiva (se ela tem alunos disléxicos, lentos para aprender, com Sindrome de Down, autistas, hiperativos, desatentos, entre outros).
  • Eu obtive a informação na Internet (mas o site da pesquisa é confiável ? Em qual  ideologia baseia-se aquele ponto de vista?).
  • Eu estou expressando minha opinião? (pensei sobre o assunto, discuti com outros, ouvi diferentes pontos de vista ou estou repetindo a verdade de um formador de opinião ? Ou estou sendo manipulado?).
  • Coloque-se no lugar do outro - se eu fosse um dos discriminados ou tivesse um parente ou amigo eu pensaria da mesma forma?
  • Quais os medos que tenho a respeito deste assunto?
  • As chamadas deficiências (visuais, auditivas, motoras, intelectuais) são absolutas e imutáveis?
  • Meu olhar sobre a humanidade deve ser real e não ideal (como ela é e não como gostaria que fosse).
  •  Somos seres gregários e só nos desenvolvemos nas relações com o outro. Quanto mais plural o social mais o ser humano aprende / se desenvolve.

 
Vânia Maria Maciel
Psicóloga clínica infantil
Mestrado em Psicologia da Aprendizagem e Desenvolvimento pela Unb