Distúrbio do processamento auditivo - o que é – como identificar – prevenção – como tratar

Segundo J. Jerger Musiek, “Processamento Auditivo é o resultado da conversa que a orelha tem com o cérebro”. Detalhando, podemos dizer que é o caminho que o som percorre desde a orelha externa, passando pelas vias centrais auditivas até o córtex cerebral.

O desenvolvimento do PAC ocorre desde os primeiros anos de vida, completando sua maturação na puberdade. É a partir das experiências interativas com o mundo sonoro, que se aprende a ouvir e falar.

Define-se como Distúrbio do Processamento Auditivo, a dificuldade em lidar com as informações que chegam pela audição. É um transtorno funcional, isto é, a criança detecta os sons normalmente, (ouve bem!) mas tem dificuldade de interpretá-los.

Cuidado! Em termos gerais, podemos encontrar alterações do processamento auditivo em indivíduos que apresentam:

  • repetidas otites médias durante a primeira infância;
  • problemas congênitos como o diabetes e o lúpus eritomatoso sistêmico;
  • problemas psicoafetivos como psicose, autismo e distúrbios emocionais;
  • déficits cognitivos;
  • transtornos de aprendizagem;
  • TDAH – Transtorno do Déficit de atenção e Hiperatividade.

Crianças e adolescentes com distúrbios do processamento auditivo central podem apresentar uma ou mais manifestações comportamentais como:

  • problemas articulatórios envolvendo os sons r/ l/ s e z;
  • dificuldades de contar histórias e dar recados;
  • dificuldades em seguir ordens;
  • compreensão prejudicada em ambiente ruidoso;
  • da posição da letra na palavra escrita;
  • troca de letras na escrita;
  • letra “feia” (disgrafia);
  • dificuldade de compreender o que lê;
  • dificuldade de organizar a linguagem escrita;
  • distração;
  • desorganização;
  • agitação;
  • ansiedade e impaciência;
  • impulsividade;
  • tendência ao isolamento (quietos demais);
  • baixa auto-estima.

 
Por que essas crianças são “distraídas”?

É que o cérebro dessas crianças faz um esforço muito grande para processar informações auditivas corriqueiras. Esses indivíduos não resistem a tanto esforço mental e “desligam-se”, com frequência, em momentos onde a atenção é exigida.

É na escola que as “distrações” são evidenciadas. Imaginem... se eles têm dificuldades de compreender o que lhes é dito em ambiente ruidoso, como evitar ruídos em sala de aula, em meio a tantas outras? Comumente essas crianças apresentam baixo desempenho em várias áreas – leitura, interpretação de textos; interpretação de problemas matemáticos – inclusive os orais – gramática e ortografia. Vivem repetindo “o quê?”, “hã?”

É possível prevenir o distúrbio do processamento auditivo?

Em primeiro lugar é fundamental que os recém-nascidos até o terceiro mês de vida realizem a triagem auditiva – Teste da Orelhinha, EOA. Esse teste possibilita a identificação de alterações auditivas, que poderá interferir sobre as funções da linguagem. Outra coisa importante é proporcionar estimulações auditivas de forma contínua. Os primeiros anos de vida têm sido considerados como o período crítico para o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem. Nesse período, o sistema nervoso auditivo central pode ser modificado de maneira positiva ou negativa, dependendo da quantidade e qualidade dos estímulos externos captados.

Por fim é relevante que os pais contem histórias, cantem e conversem com seus filhos com uma linguagem clara e uma fala bem articulada e correta. Nada de achar “bonitinho” o falar errado! Nada de diminutivos sequenciais, que concorrem para uma linguagem infantilizada! É importantíssimo cuidar da saúde do ouvido, evitando as otites, para que não haja privação de estímulos linguísticos, permitindo, assim, que o som percorra seu caminho até o córtex auditivo.

Todas essas informações foram copiladas, com alguns poucos acréscimos, do livro “Distúrbios do Processamento Auditivo – O que é?” das autoras: Fga. Regina Celi Schettini, Fga. Tereza Cristina de Mendonça Rocha e Fga. Zenilda Lúcia D. de Moraes Almeida – Editora SER. Quem desejar saber mais, inclusive orientações a pais e professores, aconselho adquirir o livro, que encontra-se à disposição na Livraria Cultura do Casa Park, Livraria Leitura do Conjunto Nacional e nos consultórios das autoras.

Vale a pena! O livro é um “achado” para todos nós educadores.

Parabéns às fonoaudiólogas que, além de amigas, são profissionais exemplares.

 
Consuelo Carvalho
Diretora do Cresça
Especialista em Educação