Transtorno do Processamento Auditivo

 

Você tem certeza que seu (a) filho (a) ouve bem?

Muitas vezes ele não consegue compreender o que as pessoas dizem?

Tem dificuldade de se concentrar, ler e escrever?

Precisa pedir sempre para repetir o que é dito?

Fiquem atentos, porque seu (a) filho (a) pode estar sofrendo de transtorno do processamento auditivo central. É o famoso DPAC- distúrbio do processamento auditivo central. Os portadores deste distúrbio detectam os sons, mas não conseguem interpretar as informações contidas nele.

Para entender melhor o transtorno, é preciso saber como funciona o processamento da audição. As orelhas captam o som, ouvem. O Processamento Auditivo (PA) realiza a escuta, que faz com que o indivíduo discrimine e decodifique a informação captada. Essa operação é realizada pelo sistema nervoso central- desde o tronco encefálico até o córtex cerebral, que transforma a energia acústica em algo com significado.

Resumindo, PA (Processamento Auditivo) é o conjunto de habilidades e tarefas necessárias para que o indivíduo possa entender e compreender o que ouviu.

Uma criança que escuta mal, que se confunde ou que não consegue prestar atenção no que o professor fala apresenta um grande risco de aprender errado, ou pior, não aprender. Alunos necessitam de uma boa escuta, afinal, na escola ele escreve e a escrita nada mais é do que a representação gráfica dos sons da fala e, para que este processo ocorra da melhor forma possível, é preciso boa consciência fonológica, memória auditiva e discriminação acústica destes sons. Numa sala de aula, há ruídos que dificultam ainda mais para as crianças com esse transtorno. O esforço dessas crianças terá de ser maior e elas não possuem maturidade suficiente para que se concentrem, evitando prejuízos.

É comum este transtorno ser confundido não só pelos pais, como também pelos professores como falta de interesse. Na verdade, a dificuldade de memorização e desatenção podem sim parecer falta de interesse. Mas o que acontece é que as crianças com este problema se cansam com mais rapidez e a agitação e o sons em sala de aula, faz com que elas nem sequer identifiquem de onde vem o som. Assim, necessitam de ajuda constante, o professor repete as informações por várias vezes e, mesmo assim, a dificuldade persiste. Crianças com esse transtorno, comumente não completam as atividades de sala de aula e demonstram não compreender os conceitos mais abstratos.

Além disso, em geral, têm dificuldade de leitura e escrita, trocam letras, omitem sílabas e dificilmente conseguem aprender um segundo idioma.

Sempre que os pais ou professores perceberem qualquer queixa relacionada à audição (pode ser um simples “não ouvi”!), linguagem ou dificuldade de aprendizagem, é importante dar o primeiro passo, buscando um especialista para que a criança seja submetida a uma audiometria total e imitanciometria, a fim de se verificar se há algum grau de perda auditiva. Caso a audição seja normal, devemos encaminhar a criança para investigar o processamento auditivo, com uma bateria de testes.

Faço questão de ressaltar a importância da audiometria. Digo isso porque já vi casos de crianças com atrasos da fala, dificuldades escolares que estavam sendo tratadas como portadoras de alterações fonológicas e até como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e que mais tarde descobriu-se pela audiometria que eram portadoras de perda auditiva de grau leve ou moderado e algumas precisaram até usar aparelho auditivo, e não apenas fazer terapia fonoaudiológica. Algumas tomavam medicamentos indicados para o TDAH!

Alguns sintomas desse transtorno, muitas vezes, demoram para ser percebidos. É que eles são mais evidentes na idade escolar, durante e após a alfabetização.

Costumo aconselhar aos pais de crianças que vão iniciai o processo de alfabetização que levem seus filhos a um bom especialista para um exame audiológico.

As causas do transtorno, podem ser diversos, tais como: AVCs, perdas auditivas não tratadas ou aquelas em que o indivíduo demora para reabilitar (por exemplo, demora em começar o uso do aparelho auditivo). Outras causas: maturação das vias auditivas centrais, alguma intercorrência na gestação ou no parto, anóxia ou cianose, histórico familiar e as famosas otites na infância.

Para finalizar, espero que pais e professores observem seus filhos e alunos e, quando perceberem algum sintoma relatado nesta matéria, que busquem ajuda. Na escola, professores devem informar o caso a direção, a coordenação ou a psicóloga que, encaminharão os pais para a realização de exames. É triste ver crianças tachadas de “desatentas”, “agitadas”, com “falta de interesse”, quando o transtorno pode ser revertido, com tratamento adequado, por um profissional habilitado.

 

Consuelo Carvalho

Diretora do CRESÇA.


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