O drama do suicídio entre crianças e jovens.

Desde o mês de abril/2018, quando dois jovens estudantes de um famoso colégio de São Paulo, deram um “basta” às suas vidas, estou preocupada e pensando muito em por que jovens se suicidam hoje mais do que “ontem”.

Crianças e adolescentes foram os que mais cometeram suicídio nos últimos anos. Pesquisando, encontrei dados que me deixaram alarmada. No Brasil, as mortes na faixa etária de 10 a 14 anos por suicídio cresceram 65%. Entre jovens de 15 e 19 anos, o aumento foi de 45%. No Distrito Federal houve 800 tentativas de suicídio somente este ano. Estes dados são do Ministério da Saúde, que afirma que o suicídio já mata mais jovens que o HIV em todo o mundo. Para a faixa etária de 15 e 19 anos, apenas acidentes de trânsito matam mais. Mas, o que acontece atualmente? O que está faltando aos jovens para fazerem isso?

Todos nós sabemos que o período da adolescência é de transição e complicado. É o período em que se estrutura a identidade, daí a importância de observarmos mudanças nos níveis sociais, familiares, físicos e afetivos. Precisamos nos lembrar de que os jovens são mais “suscetíveis” à desestabilização emocional diante dos conflitos que vivenciam, até por demonstrarem em geral, um comportamento mais impetuoso.

Adolescer é crescer e, por vezes, adoecer. As causas são diversas, desde doenças mentais a dificuldades de interações sociais e/ou familiares. Em nossa sociedade capitalista, a felicidade está associada a ser bem-sucedido, tirar boas notas na escola, ter tudo do bom e do melhor, ter sucesso. Isso é o que a maioria dos jovens desejam, no entanto, estão vulneráveis às pressões sociais, aos conflitos familiares, ao bullying. Atualmente crianças e jovens não se descolam de celulares e tablets e, com certeza, as redes sociais motivam o aumento da ansiedade e até da depressão, seja por comentários maldosos, preconceituosos ou boatos, que “viralizam”, afetando a autoestima, colocando a saúde emocional em risco.

Penso que a internet, onde a maioria dos adolescentes vive, arrancou a ilusão sobre o que chamamos de humanidade. Nem sempre percebemos o “stress” psicológico no qual nossas crianças e jovens estão vivendo. As diversões desses jovens são virtuais assim como as suas relações, tecidas nas “redes” e desmanchadas com igual facilidade.

Jovens imersos em redes sociais assistem a retratos de vidas fantásticas. Internautas tendem a selecionar “posts” que exibam suas melhores conquistas e construir imagens coloridas de suas vidas. Por comparação, a vida de quem assiste a esse espetáculo parece pior, principalmente quando surgem problemas.

Muitas de nossas crianças e jovens, levam uma vida de “executivos”, escolhida por seus pais, que dizem querer o “melhor para seus filhos”, substituem o afeto, a escuta e o acolhimento por objetos de desejos passageiros- celulares, tablets e outras parafernálias. Em geral estão “perto” dos filhos, é o que dizem, mas nunca estão juntos.

São famílias que ocupam o tempo máximo das crianças e jovens com a escola, aulas particulares, academia para esportes, psicóloga, professora particular, aulas de inglês, espanhol e até mandarim! Nossas crianças só brincam nas escolas nos momentos dos recreios de não mais do que meia hora! Em casa, as quantidades de deveres escolares tornam esse pequeno tempo um tédio horroroso, alienando ainda mais o estudante. Vivemos numa sociedade em que o individualismo exacerbado e as constantes competições são verdadeiras ferramentas para humilhar, segregar e excluir.

Para muitos especialistas, o suicídio juvenil tem contornos epidêmicos. E, para a Organização Mundial da Saúde, precisa “deixar de ser tabu”. Precisamos discutir a questão pois, o fato de se falar sobre o suicídio não o estimula. Segundo vários especialistas, existe uma história que evolui na cabeça da pessoa há algum tempo. No entanto, pais e escolas precisam perceber que não basta apenas focar no educacional e nem na competitividade.

Toda a nossa sociedade, as famílias precisam cuidar do resgate dos valores sociais e morais. Não podemos permitir a falência do papel primordial dos pais que é a educação moral.

 

 

Conheça algumas causas que fazem uma pessoa cometer suicídio:

  • Solidão– A solidão é uma das queixas mais recorrentes. O sentimento de isolamento é de uma angústia profunda. A criança e o adolescente sente-se sozinho e, por isso, cai em silêncio, que funciona como uma máscara, para encobrir a dor e a vergonha sentidas. Muitas vezes estão rodeadas de colegas e mesmo assim sentem-se solitários. É importante observar esse isolamento, a tristeza, a perda do apetite, o desânimo e apatia. Quando esse sentimento persiste, pode em breve transformar-se numa doença séria como a Depressão.
  • Depressão– Especialistas afirmam que a consequência mais desastrosa da depressão é o suicídio. Na depressão, a pessoa tende a se isolar, chora muito, fica irritadiça, não sente mais prazer nas atividades que antes lhe agradavam, não gosta de falar sobre seus sentimentos, não confia em ninguém e tem pensamentos suicidas.

Em geral, os adolescentes que se matam têm algum tipo de doença mental, que varia da depressão, ansiedade, violência ou vício em drogas.

Das doenças mentais é importante citarmos a esquizofrenia, já que os portadores podem estar fora da realidade, ter crises psicóticas e delírio de perseguição.

  • Uso de drogas e maus tratos– Os abusos físico e sexual durante o desenvolvimento podem estar associados ao suicídio bem como o uso de drogas ilícitas. Esses suicidas tendem a se envolver em comportamentos autodestrutivos. Assim, acabam por usar as drogas e o álcool de forma descontrolada, sem moderação.

Por fim, gostaria de citar a

  • Superproteção– Muitas vezes o adolescente suicida é vítima da própria criação. Pais muito focados em suas carreiras e vidas pessoais sentem-se culpados em relação aos filhos, e os consolam com conquistas materiais. O excesso de proteção impede que o jovem desenvolva por si próprio, e esses filhos, em geral, não sabem lidar com a frustração. Apesar de parecer um sentimento decorrente de situações de fracasso, a frustração é de extrema importância para a constituição psicológica dos indivíduos. Crianças e adolescentes precisam aprender desde muito cedo que adiar gratificações é fundamental para a vida em sociedade. Filhos muito protegidos, que têm seus desejos imediatamente satisfeitos, com certeza não compreendem a realidade da vida adulta.
  • Para finalizar, quero alertar os pais, cuidadores, responsáveis e professores: reagir a essas situações é nossa obrigação! Vamos observar mais nossas crianças e adolescentes! Ouvi-los é nosso dever, repensar as necessidades de tantas pressões é urgente! Acima de tudo, demonstrar o nosso amor e o nosso afeto. Em nome de todos que se foram, vamos lutar para enterrar de vez a depressão inaceitável de parte da nossa juventude na “flor da idade” e que devasta a todos nós.

Consuelo Carvalho

Diretora do Cresça

 


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