FUTEBOL: RETRATO DA ALMA – POR QUÊ?

Porque o futebol desperta tanta atenção do povo brasileiro?

Ainda que carregando o desgosto de outros fracassos em Copas anteriores e… apesar da fome, do desemprego, da horrível corrupção política, do analfabetismo, do superfaturamento dos estádios, dos mensaleiros, dinheiro em cuecas, meias, bolsas e “agradecimentos” a Deus pelo dinheiro roubado, etc, e etc…! O brasileiro pensa, vibra e esquece tudo pelo futebol!!!

Que magia comanda este esporte, capaz de eletrizar milhões de brasileiros?

Na opinião do saudoso Nelson Rodrigues a Seleção Brasileira é a “pátria em chuteiras”. Para ele o futebol é o retrato da alma e determina o caráter nacional. Para Fernando de Azevedo, “a juventude parece ter tido a intuição de que esse esporte era o mais completo do ponto de vista educativo e psicodinâmico e, por isso, recebeu-o de braços e corações abertos…”

Outro estudioso do assunto, Anatol Rosenfeld conta em seu livro “O futebol no Brasil” como esse esporte arrebatou as “bases emocionais mais profundas de um nacionalismo inflado pelo complexo colonial”. Acreditava-se que o futebol, por suas qualidades educativas, no sentido físico e moral, havia contribuído bastante para a superioridade das nações anglo-saxônicas (o futebol moderno nasceu na Inglaterra).

Mas, como explicar o fascínio e a mesma paixão dos torcedores quando a disputa se dá entre clubes dentro de um mesmo país, do mesmo Estado e da mesma cidade?

A explicação está no passado remoto do homem. “Cada clube de futebol se organiza como uma tribo primitiva, com seu território, suas leis, seus heróis, seus feiticeiros”, acredita Demond Morris em seu livro “O macaco nu e a tribo de futebol”.

Mesmo vivendo numa sociedade contemporânea, dominada pela tecnologia, o homem mantém gravados no seu inconsciente os rituais da caçada que precisou desenvolver para sobreviver, durante milhões de anos: habilidades físicas para correr, lutar e empunhar uma arma; capacidade de concentração para perseguir a presa, busca da cooperação para caçar melhor.

O futebol simbolizaria uma caçada ou então uma guerra entre tribos. O gol é a morte simbólica da presa ou o símbolo da conquista de uma batalha verdadeira.

Assim, quando vamos a um estádio, estamos vendo versões de combates primitivos. Carlos Byington diz que o futebol “desde o início se caracterizou como um encontro de opostos em que o conflito comunitário é admitido, exercido e subordinado a um fim pacífico”. E mais, na sua opinião, o fato de ser jogado com os pés, confere ao futebol uma magia especial, por representarem a parte mais instintiva do homem, geralmente associada aos processos inconscientes e vegetativos. Ali se situam os intestinos, a excreção fecal e urinária e os órgãos sexuais, que se contrapõem à cabeça e à boca representantes da consciência, da fala e da ingestão.

Toda essa simbologia, imperceptível para os apaixonados do futebol, é que o torna o mais popular dos esportes.

O futebol é uma grande escola, onde os jogadores seriam os heróis do povo, sendo o atacante, o goleador, o mais destacado de todos.

A nos identificarmos com os jogadores no ritual dramático, sentimos que eles realizam por nós, proezas físicas e psíquicas, que nos gratificam profundamente.

 

 

Pesquisa e texto: 
Consuelo Carvalho
Diretora Geral do Cresça – Especialista em Educação
Ao divulgar, seja gentil. Cite o autor e a fonte. A cultura agradece!

 


Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *