ESCOLA… PRA QUÊ?

O que dizem (mais ou menos) os alunos:

Prá encontrar amigos, paquerar, azarar, fofocar, brigar, praticar esportes etc. (É, a turma está a fim dessa socialização com a galera da mesma idade).

 

O que dizem (freqüentemente) os pais:

Para completar a educação dos filhos e para prepará-los para estudos futuros, em especial para os estudos universitários… (Olha só o olho, num bom futuro profissional para os filhos).

 

O que dizem (assim ou de modo parecido) os educadores:

Para que os alunos aprendam a conviver socialmente; a respeitar os que nela vivem; a produzir e tomar decisões; a ter responsabilidades e a honrar seus compromissos… E aprendam também conhecimentos, a usar seus potenciais cognitivo e criativo, a fazer coisas, a desenvolver projetos. (Metas bem ambiciosas as da escola).

 

As metas e características da sociedade atual

Bom, não é tarefa fácil atender a todas essas expectativas. E mais difícil ela se torna frente às características de nossa sócio-cultura, que acabam aparecendo e influindo nos ambientes da escola e do lar.

 

O consumismo dominante

Uma dessas características é o consumismo. Já repararam que ele paira sobre nossas cabeças e nos instiga diariamente? Ele gera um sentimento de que nada do que temos nos basta. Constantemente somos “bombardeados” com apelos de novidades, brilhos e luxos. (A galera amarra-se em tudo que representa a onda do momento, sejam objetos ou hábitos).

Muitas vezes a educação tem dificuldade em lidar com isso. E aí? Pregar uma vida despojada de bens? (Seria o mesmo que pregar no deserto…). E que tal começar a pensar no que é essencial e no que é supérfluo?

Já pensaram nisso? É bem provável que cada um tenha sua resposta própria. Apesar disso, há coisas que todo ser humano, em qualquer lugar desse mundo, diria que não pode dispensar: moradia, saúde, trabalho, educação. Essas são coisas essenciais. O supérfluo, embora para alguns possa parecer indispensável, é aquilo que vai além do essencial. Ou aparece como adereços ao essencial: moradia de luxo, trabalho com status, escola com ostentação.

Não é que um seja bom e o outro ruim. Necessitamos dos bens essenciais. Já os supérfluos, embora possam ser bons, são dispensáveis. Ou seja, podemos fazer escolhas. Além disso, a posse de bens essenciais e supérfluos varia nos diversos segmentos sociais. Há grandes massas da população com privações do essencial. E é bom pensar no custo das coisas… Tudo que se faz, no cotidiano da vida ou da escola, nos eventos e realizações, tem um custo. Quase sempre, isso implica em escolhas.

 

A violência dominante

Um segundo fator que todo mundo reconhece como presente na sociedade é a violência. Todos os dias nos deparamos com ela – na televisão, nos jornais, nos relatos, na própria vida. Você já pensou em quais são as causas da violência? Vamos mencionar algumas: a penúria (falta do essencial para subsistir) e a falta de perspectivas; o aparente êxito de comportamentos agressivos (a sensação de poder, a “admiração” dos outros pela força demonstrada, a vantagem daí advinda); a imitação de modelos em que a violência aparece aceitável e envolta em certo charme; a impunidade etc.

Será que a violência interfere no trabalho educativo? Na escola, ela apresenta-se na forma de agressão – aquele ato destinado a ferir ou trazer prejuízo a um outro. É com essa violência que a escola precisa saber lidar. Como? Alguns exemplos: construindo e mantendo um ambiente não agressivo, propiciando estados afetivos que não combinam com a cólera ou a agressão, gerando mecanismos que possibilitem o descarregar da tensão ou da cólera, quando aparecerem; desenvolvendo recursos alternativos para a resolução de conflitos, convocando os segmentos que compõem a escola a demonstrarem firmemente que não estão dispostos a tolerar a agressividade e usarão meios para se fazer respeitar.

A desintegração social, a esperteza versus a competitividade

Já repararam como estão faltando estruturas e valores firmes na sociedade? Em vez disso, delinqüência, mortalidade infantil, analfabetismo, corrupção. Na sociedade sem valores a lei da competição, que pode ser estimulante e salutar, é substituída pela imoral lei da esperteza, na qual tirar vantagem a todo custo torna-se um objetivo pessoal. Esse fator influi de modo negativo na formação de cada um. Mestres, pais e alunos devem chegar a um consenso de valores e investir na tarefa de torná-los parte integrante da vida escolar.

 

O sexo na sociedade atual

Na sociedade atual, o sexo deixou de ser assunto proibido, e isso tem produzido orientações claras que podem levar a hábitos mais saudáveis. Por outro lado, dá para notar uma ampliação dos limites de tolerância. Como as informações não chegam a todos, isso gera uma série de aspectos negativos, como gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis (DST). Informação, preparo e conscientização são meios para fazer dos alunos sujeitos alertas. Um projeto digno de ser conhecido é o “Ouça, Aprenda, Viva”, desenvolvido pela Federação de Bandeirantes do Brasil. Cada adolescente precisa assumir o controle da sua vida sexual e saber tomar decisões pessoais. Não é bom se deixar levar sempre pelo comportamento do grupo. O desenvolvimento da opinião própria e da firmeza em fazê-la valer pode ser a diferença entre a saúde e a doença, entre uma vida normal e situações indesejáveis.

 

Caros jovens e crianças

Acho que vocês estão percebendo que na escola há um esforço grande, um pensar sobre o que é importante para vocês e sobre aquilo de que vocês gostam.

Tudo isso, confrontado à luz de fatores sociais como o consumismo, a violência, a falta de estruturas e valores sólidos, os costumes e riscos do sexo.

Por isso, é importante que vocês pensem e discutam sobre:

  • O tipo de convivência que vocês acham que deve existir na escola, entre colegas e demais pessoas. Será que essa convivência não deve ocorrer de modo limpo, superando conflitos, da mesma forma como deveria ser a convivência de adultos em ambiente de trabalho e no cenário político?
  • O fato da escola ser uma microsociedade, onde cada dia vocês desenvolvem aprendizagens e valores, para que possam tornar-se indivíduos melhores e cidadãos mais capazes.
  • Como a escola desenvolve em vocês o aspecto físico, o cognitivo (aquilo que se refere ao conhecimento), o da sensibilidade e da criatividade. A escola é um mundo muito rico, que revela a vocês a produção infinita e maravilhosa dos homens. Tratem de aproveitá-la e de se manifestarem, quando acharem que ela não está cumprindo suas expectativas.

 

Pais, Mestres e Alunos

Sei das metas do Cresça e sei das dificuldades para mantê-las presentes no dia-a-dia da escola. A integração das metas de pais, alunos e professores, num plano mais geral, só pode se dar em um espaço de discussão permanente entre os vários segmentos, num trocar de idéias a partir das expressões autênticas e livres de cada um. Nada melhor para isso, do que o espaço interativo de um site.

Não deixem de usá-lo de modo criativo, sincero e consciente. Construir a escola é uma tarefa de todos.

 

Nilza Eigenheer Bertoni é Mestre em Matemática e Diretora Honorária da Sociedade Brasileira de Educação Matemática – Regional DF.
Ao divulgar, seja gentil. Cite o autor e a fonte. A cultura agradece!

 


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