ESCOLA E PAIS: A IMPORTÂNCIA DA PARCERIA

Já há algum tempo que a escola assumiu um papel que deveria ser muito mais das famílias: o de educar seus alunos para a cidadania.

As mudanças sociais também provocaram mudanças nos valores éticos e morais. Atualmente mães e pais trabalham fora. Aquela “história” da mãe que ficava em casa, cuidando dos filhos pouco a pouco foi se transformando. As mães começaram trabalhando apenas 4 horas por dia e hoje são 8, 10 e às vezes até mais! Em 27% dos casos, as mães são arrimo de família. E aí, necessitam, pelo menos, minimizar o sentimento de culpa em relação ao distanciamento dos filhos, já que grande parte dos homens não se predispôs a ocupar o espaço vazio deixado por elas. Assim, o pai e a mãe tornam-se muito permissivos e não encontram tempo para saber o que se passa de fato com os filhos que, sem limites, sequer aprendem o que é certo e o que é errado.

O resultado da situação é: pais e mães altamente inseguros e filhos também. Estes perdem completamente a noção de respeito, não se colocam no lugar do outro, tornam-se exigentes e intransigentes. Não valorizam seus pais e muito menos a escola. O cumprimento dos deveres escolares e o estudo ficam abandonados, passando a maior parte do tempo à frente de um computador. O dia todo e até tarde da noite assistimos crianças e adolescentes com seus tablets, i-phone, i-pad e celulares à mão. O tempo em que à escola cabia a transmissão da cultura acumulada, já era!

Se a atual escola não se preocupar em trabalhar hábitos e atitudes com seus alunos, estará desmoralizada e inviabilizada.

Não posso deixar de lembrar que com o restabelecimento da democracia em nosso país, com a volta da liberdade de imprensa, graves questões políticas vieram à tona, provocando e deixando no ar uma sensação ruim de que, para se dar bem no Brasil, é preciso ser, no mínimo, “esperto”. Grande parte dos pais e mães não age mais com a seriedade de antes, pois já está contaminada pelo vírus da impunidade e, não admite ver seus filhos “por baixo”. Assim, os progenitores acabam por arranjar justificativas para encobrir comportamentos inadequados dos filhos.

A escola tentou e continua tentando ocupar o espaço deixado de lado na educação das crianças e adolescentes. Mas sem a parceria confiante e atuante dos pais, não lhe é possível cumprir duas tarefas ao mesmo tempo: educar para a cidadania e transmitir conhecimentos. Os conteúdos escolares também estão mudando e mesmo com recursos tecnológicos atualíssimos, o professor precisa se reciclar, são tantas as responsabilidades profissionais que não lhes é possível arcar com tarefas que são prioritariamente da família.

É fundamental que os pais participem de encontros, palestras, reuniões e busquem a escola quando perceberem que há algo de errado com os filhos.

Outro cuidado importante é pais e escolas reconhecerem e saberem lidar com questões sérias como a irresponsabilidade, o bullying, as discriminações, as exclusões e a indisciplina. Pais e escola devem agir em conjunto. De nada adianta a escola agir para logo em seguida a mãe ou o pai se apresentarem com justificativas que tiram a autoridade dos educadores. É possível, desde que os motivos sejam colocados de forma clara e firme, a criança entender que os pais se ausentam porque estão trabalhando e trabalham porque querem dar segurança, saúde e educação aos filhos.

Já diziam nosso avós que “educação vem do berço”. Por isso quando juntos, os pais devem dar atenção, carinho, amor e …educação aos filhos.

É cansativo?!

Demais! Mas, não temos outro caminho. O que temos a fazer é diminuir a nossa ansiedade, evitar competições desnecessárias, que nos leva sempre ao “ter mais” ou “ao ser mais”.

 

 

Consuelo Carvalho
Diretora Geral do Cresça – Especialista em Educação
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