CONFIANÇA: O QUE É, PARA QUE SERVE E COMO CONQUISTÁ-LA

Para mim a confiança faz parte daquele grande conjunto de substantivos abstratos que aprendemos em tenra idade, no seio familiar e na Escola Fundamental e que utilizamos em situações específicas de nossas vidas: costumamos dizer que algo ou alguém é “confiável”! Na verdade, experimentamos em nós, um sentimento de confiança.

Quando concluímos nossos pensamentos sempre da mesma forma, independente das análises que podemos fazer, dizemos que nosso sentimento é de CONFIANÇA.

Para a “DESCONFIANÇA”, podemos observar pensamentos diferentes, opiniões também diferentes; ficamos em dúvida sobre os resultados de nossas análises e decisões. Nesse caso, dizemos que estamos em ESTADO DE DESCONFIANÇA.

A confiança, entendida como uma entidade, permite que nossa vida flua num curso mais tranqüilo, com um menor custo de energia. Dizemo-nos confortáveis nessas situações, pois a confiança serve para que vivamos melhor, com mais saúde física e emocional. Em estado de confiança experimentamos a vantagem de viver de forma mais intensa e mais autêntica com nossos familiares, colegas, amigos e profissionais com os quais dividimos ações ou trabalho.

E como agir para conquistarmos esse sentimento tão desejado?

Para conquistar a confiança devemos cumprir o mesmo processo que observamos inúmeras vezes em nossas vidas: a PARTICIPAÇÃO, a INTERAÇÃO. É assim para o aprendiz de motorista, é assim para o aprendiz de culinária e é também assim para os pais, quando escolhem uma escola para os filhos.

INTERAGIR é a palavra-chave para a produção da tão desejada confiança. É na “inter-ação” com algo, alguém, idéias ou com o ambiente, que formamos nossos entendimentos. É um processo de aprendizagem pois, para obtermos novos entendimentos, novas opiniões e a tão desejada confiança, é necessário que renunciemos, ainda que momentaneamente, ao conforto das certezas até então conquistadas.

Quando levamos nossos filhos para a escola, vivenciamos um processo de aprendizagem: de forma direta – presencial – ou indireta – não presencial. Participamos de todo o conteúdo formal e informal que por ela é ministrado. É importante que a escola se sensibilize com as dúvidas dos pais e permita-lhes os questionamentos necessários. Por isso, toda a equipe técnica deve se colocar à disposição das famílias a fim de esclarecer-lhes os “pontos” não entendidos. Os pais não devem alimentar dúvidas! Quando os pais deixam de solucionar suas dúvidas, retiram de si a oportunidade de novos aprendizados e se omitem do processo de aprendizagem dos filhos. E, nesse caso, o mais grave é que demonstram aos filhos o que fazer quando estiverem confusos, inseguros ou desconfiados a respeito do que lhes ocorre no âmbito escolar. A família é a referência mais concreta que os filhos têm. São os pais que educam as crianças para a escola, isto é, cabe aos pais prover os filhos de comportamentos a serem utilizados no ambiente escolar.

Pais inseguros a respeito da escola produzem a desconfiança também em seus filhos. Pais que não reconhecem a autoridade institucional de professores e funcionários “autorizam” seus filhos a fazerem da mesma forma. Pais que duvidam da utilidade dos conteúdos, processos e iniciativas da escola oferecem aos filhos o mesmo modelo de comportamento para seus momentos de incertezas.

Pagam por um serviço e estão ensinando aos filhos como recusá-lo. Imagine-se comprando e pagando por um bem ou serviço e, ao mesmo tempo, ensinando ao seu portador ou mensageiro como recusar-se a receber o produto no momento da entrega.

A escola e seus respectivos educadores não trabalham com a expectativa de pais “preparados”; trabalham e têm a necessidade inegociável de pais participativos. Toda a família é parte importante do processo de aprendizagem de um aluno. Esse aluno é aquele que poderíamos chamar de “aprendiz identificado”, que faz diariamente a ponte entre a escola e seus familiares. A cada dia ele é o portador de novos conhecimentos e habilidades, que deverão ser validados por seus pais. Nunca é demais dizer que essa validação se dá pela coerência do que é visto e ouvido por ele nas duas instâncias – escola e família – com certeza produto da confiança mútua.

 

Paulo Luis R. de Magalhães – Psicólogo
Ao divulgar, seja gentil. Cite o autor e a fonte. A cultura agradece!

 


Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *