COMO FAZER DO SEU (SUA) FILHO (A) UM BOM ESTUDANTE

Se fosse dado a uma criança o direito de escolher entre ir à escola ou brincar, assistir TV, navegar na internet, passear em shoppings… será que as escolas estariam lotadas como estão? Acredito que não. A maioria vai à escola e estuda porque os pais, zelosos, não abrem mão. Mas, vamos combinar: dá muito trabalho! No entanto fazer os filhos irem à escola e estudar é uma tarefa que cabe essencialmente, aos pais. Embora seja mais uma tarefa na vida sobrecarregada de todos nós, se nos dedicarmos com amor, a recompensa virá e poderá ser muito grande.

Sempre que faço essa afirmação, em palestras ou conversas informais com mães e pais, fico aguardando uma pergunta que invariavelmente acontece:

– Mas como fazer meu filho estudar, cumprir as tarefas!? Meu marido e eu trabalhamos o dia inteiro. É muito difícil pois, chegamos em casa somente à noite!

De fato não é uma tarefa fácil. Mas, quem disse que educar um filho é fácil? Criar filhos pode ser fácil mas educar… são outros “quinhentos”. Em se tratando de ajudar o nosso filho a ser um bom estudante, o mais importante é a nossa maneira de agir, de nos relacionarmos com ele e com o mundo, criando hábitos desde cedo. A partir do momento que a criança entra para a escola é fundamental que os pais valorizem e SUPERVISIONEM os trabalhos e os estudos. Os pais que trabalham fora o dia todo podem combinar entre si, quantas vezes e em quais dias da semana irão realizar essa obrigação, até para não ficar “desgastante”. Marquem horário de estudo e realização das tarefas – o que pode ser estabelecido com a participação da criança ou adolescente – porém ao chegarem em casa supervisionem! Vejam se o trabalho está completo, atestem o capricho, corrijam alguns erros, tirem dúvidas e, se necessário, exijam que refaçam as tarefas mal feitas.

Atitudes como estas, auxiliam e formam hábitos de estudos. Além do mais, os pais estarão sempre próximos à sua aprendizagem.

Muitos pais hão de pensar:

– Mas como, Jesus, conseguir tal proeza? Já tenho tanta coisa para fazer, logo agora que, com o meu filho (a) na escola, ia poder me aliviar um pouco?

É assim mesmo! Educar um filho demanda muito tempo! Entretanto não se desespere. Vocês terão mais tempo livre, só que não já. Para formar bons hábitos de estudos, ou outros quaisquer, havemos de ser determinados e constantes em nossas “cobranças”, e participação.

Desde muito cedo, quando a criança está na Educação Infantil e leva seu primeiro “deverzinho”, nosso papel deve ser o de valorizar e prestigiar a tarefa. Já vi mães e pais desconhecerem tal tarefa e ainda desqualificarem o papel da escola. Aí a criança deixa de fazer a tarefa, porque não foi lembrada ou a esqueceu em casa. Porém, na escola ela será cobrada e, certamente, ficará desapontada frente aos coleguinhas. Situações como essa costumam se repetir em algumas famílias e as crianças aprendem a descumprir, até não darem mais a menor importância para os seus compromissos escolares.

Se, por outro lado, demonstrarmos interesse, acreditando que o que ele está aprendendo é importante, se acreditarmos na escola, se demonstrarmos orgulho em poder propiciar-lhe oportunidade de estudar numa boa escola, com certeza, o resultado será mais positivo. Demonstrar alegria e prazer em acompanhar os deveres e estudos do filho é uma ótima maneira de começar a fazê-lo gostar dos livros e dos estudos. Costumo dizer que esses momentos não deveria nunca ser associado a cara feia, brigas ou obrigação chata, e sim ao PRAZER.

Notem que alguns estudantes nem precisam de estímulo – adoram fazer as tarefas, são caprichosos e responsáveis por natureza; outros precisam daquele “empurrãozinho” e outros, ainda, necessitam de supervisão mais longa. As pessoas não são iguais!

Outro dado importante é arrumar um espaço para seu (sua) filho (a) estudar. E arrumar o “cantinho dos estudos” é simplesmente definir um local, onde 1 mesa e 1 cadeira estejam a sua disposição e, claro, que seja um local arejado, claro, calmo, sem que haja TV ou som ligados, sem interferências de segundos ou terceiros.

Demonstre com clareza seus sentimentos de valorização positiva, quando ele fizer toda a tarefa com capricho e quando souber toda a “lição”, com um beijo carinhoso, um sorriso e aquele comentário: você é o meu herói! Você hoje foi o máximo!

“Os filhos podem e devem ser premiados por cumprirem suas obrigações escolares mas, cuidado! Nada de exageros! Leve-os para tomarem “aquele” sorvete ou comerem “aquela” pizza e sobretudo faça-os perceberem que fizeram por merecer aquele prêmio.

Mas e se tudo isso não funcionar?

Na verdade, por mais cansativo que possa parecer, o esquema proposto costuma funcionar. Mas pode sim, falhar com algumas crianças.

Então, neste caso, analise o seguinte:

A família seguiu à risca os passos acima ou será que, algumas vezes deu “aquele desânimo” e aí “ vou deixar pra lá” ou ainda “vou ditar as respostas” e ainda “só hoje, vou deixar que veja TV e etc?

Não quero dizer que temos de ser verdadeiros “coronéis” mas, é importante saber que, cada vez que a criança ou o adolescente nos vence pelo cansaço, estamos RETROCEDENDO no processo. E isso implica em mais tempo! Ao tentar implantar bons hábitos, procure evitar as exceções. No entanto se as exceções acontecerem e seu filho (a) está se tornado insistente, as notas “caindo”, as “reclamações” registradas na agenda aumentando, então… comece tudo de novo! E, desta vez, depois de relembrar as regras que foram estabelecidas, CUMPRA! Provavelmente será mais difícil. Seu (sua) filho (a) pode ter aprendido a manipular e, histórias poderão surgir como por exemplo:

Hoje não tem dever

Meu caderno ou livro ficou na escola

A professora não explicou etc.

Fiquem tranquilos! Dêem uma olhada na mochila ou telefonem para a escola ou para algum colega. Confiram as informações. E lembrem-se: não se sintam “culpados”! Vocês estarão cuidando. CUIDAR não é duvidar, nem mesmo espionar. É simplesmente se responsabilizar pelo futuro dos filhos.

 

Consuelo Carvalho
Diretora Geral do Cresça – Especialista em Educação
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