“COBRANÇA DANOSA”? OU DÍVIDA DANOSA?

Ao ler a reportagem do Correio Braziliense página 21 de 30/03/2012, sobre a “cobrança” aos pais de tutores para crianças com síndrome de Down nas Escolas Particulares de Brasília, fiquei indignada com algumas afirmações de órgãos do Governo do DF. É fácil condenar, sem antes buscar razões para que a Escola Particular necessite de ajuda complementar na educação de crianças com necessidades educacionais especiais.

O Cresça é uma escola de inclusão, desde 1979, porém, com regras e limites para garantir a integridade e o aprendizado de todos os alunos.

Nenhuma escola particular, ouso afirmar, teria condições de “abrir” uma “turma” para duas crianças como faz a Fundação Educacional, segundo a reportagem, citando a Escola Classe 216 sul, quer seja para alunos com síndrome de Down ou outra dificuldade qualquer.

Em 1º lugar, seria um contra-senso: incluir?? Com 2 alunos na turma? Onde está a inclusão?

Em 2º lugar, o custo de um profissional para 2 alunos, seria algo impossível, por si só inviabilizaria a escola!

E mais questões: onde buscar esses profissionais multifuncionais, como diz a reportagem? Em geral, a escola particular ao contratar professores, necessita (e cumpre!) com a obrigação de oferecer a muitos profissionais outra FORMAÇÃO! São dias, semanas, meses para formar e informar profissionais. A escola particular não só assume os custos, como também o “desgaste”, o “cansaço” em busca dos seus objetivos de realizar um trabalho serio, de qualidade. Portanto não é a “cobrança” que é “danosa” e sim a “dívida” dos nossos governantes para com a sociedade e, em especial, com a Escola Particular.

Comecei a trabalhar em Brasília em 1979 e, desde então, venho me aprimorando e buscando alternativas para cumprir com a minha determinação em atender as crianças com necessidades educacionais especiais. No entanto jamais recebi qualquer sugestão ou orientação dos órgãos citados pela reportagem. Mas, coloco-me à disposição e as portas da escola abertas aos especialistas que sabem trabalhar, para incluir essas crianças, de forma a garantir o seu sucesso e o dos demais alunos. Porém, peço a todos: tragam-me propostas concretas, possíveis de serem colocadas em prática, observando todos os lados da questão: a aprendizagem de qualidade de todos os alunos, a formação e qualificação dos profissionais envolvidos, os custos operacionais, os impostos, enfim, dizer que a Educação tem de ser de Qualidade é o que todo brasileiro quer e precisa. Fazê-la se realizar é que são elas…

Lendo reportagens como esta, me bate uma tristeza e um desânimo sem proporções. Já pensei várias vezes em desistir mas, não posso abdicar de meu país, do meu desejo, que nasceu na adolescência, de bem educar. Enfrentei a minha mãe, já falecida, que diariamente tentava mudar a minha opinião: “professora, não! Não tem valor!” Mas, insisti, pensava poder contribuir para melhorar a vida daquelas crianças faveladas das minhas primeiras escolas. Tantos anos se passaram e Educação e Saúde continuam em desgraça, porque não as vejo favorecidas, nem resolvidos os seus piores males. É preciso muito esforço, raciocínio, família estruturada, não em berço esplêndido, mas o amoroso, moralmente bom, para nadar contra a correnteza e buscar uma luz no fim do túnel, em prol de crianças e pais menos afortunados. Como gestora de Escola Particular busco, diariamente, motivos para lutar, sonhar e ter esperanças, pois as ideologias, a cada dia, deixam de ser importantes. Pelo menos é o que vejo, leio e assisto nos noticiários. O que mais vale são os interesses do mais novo partido brasileiro, o PIP, segundo Lia Luft, o PARTIDO DO INTERESSE PRÓPRIO. O que conta é: o poder do voto, a manutenção de condições favoráveis ao enriquecimento ilícito, as manobras por mais poder, e tudo que gera violência, ignorância, agressividade, stress e desalento.

Mas, não desisto! O Cresça é, e será cada vez mais, Reconhecido e Respeitado. Nada devemos às escolas ditas tradicionais. Cada uma realiza o seu trabalho, cada qual tem o seu valor e, afinal, é esta pluralidade que concorre para o exercício da democracia. Quem não cumpre com a Constituição, que prevê a inclusão de crianças em todas as escolas, certamente, está na contra-mão do maior objetivo do povo deste país: “Educação é direito de todos” e, Escola foi feita para quem precisa dela.

 

 

Consuelo Carvalho
Diretora Geral do Cresça – Especialista em Educação
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